Sidrolândia: Presidente de hospital de Sidrolândia nunca recebeu Pix de esquema de propina, diz advogado

Jacob Breure foi preso por porte de arma, mas solto sob fiança

O presidente do Hospital Dona Elmíria Silvério Barbosa, em Sidrolândia — município da região central de Mato Grosso do Sul —, Jacob Meeuwis Breure, foi solto na manhã desta terça-feira (18), após pagar fiança de dez salários mínimos por porte ilegal de arma de fogo.

Ao Jornal Midiamax, o advogado dele, Wellison Muchiutti, negou que Jacob fazia parte do esquema de propina via Pix revelado na Operação Dirty Pix, deflagrada hoje pelo Gecoc/MPMS (Grupo Especial de Combate à Corrupção, do Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul).

“Não houve Pix na conta. Essa parte da investigação de que a empresa estava pagando vereador não tivemos”, comentou.

Sobre a arma, o defensor alegou que era relíquia de família. “É uma arma de coleção, era do pai da esposa dele, já falecido. Já pagou a fiança e saiu”, esclareceu.

Muchiutti disse ainda que a empresa Pharbox Distribuidora Farmacêutica de Medicamentos (CNPJ 20.820.379/0001-93) descumpriu o contrato, ao entregar parcialmente os equipamentos adquiridos, tanto que Jacob autorizou o hospital a exigir o cumprimento na Justiça.

“A sociedade beneficente adquiriu em 2022 materiais por meio de convênio com o Estado. Porém, essa empresa entregou parcialmente, e o Jacob mandou judicializar, tanto que houve sentença favorável. Vamos apoiar o MP e a Justiça nessa investigação”, concluiu.

Gecoc revela esquema de propina por Pix a políticos e diretor de hospital

A Operação Dirty Pix, do Gecoc/MPMS, cumpriu 18 mandados de busca e apreensão em Sidrolândia e Manaus (AM) nesta terça-feira, 18 de novembro de 2025.

A investigação identificou o desvio de R$ 5,4 milhões em recursos públicos destinados ao Hospital Dona Elmíria Silvério Barbosa. O valor foi repassado pelo Governo do Estado à Prefeitura de Sidrolândia para a compra de um aparelho de ressonância magnética e um autoclave hospitalar.

Porém, parte dessa verba foi desviada pela direção do hospital e pela empresa fornecedora, a Pharbox Distribuidora Farmacêutica de Medicamentos (CNPJ 20.820.379/0001-93). A empresa ainda teria pagado vantagens indevidas a vereadores.

Os pagamentos eram feitos por meio de transferências de Pix diretamente ou por meio de terceiros aos parlamentares e ao presidente do hospital, Jacob Breure.

O Jornal Midiamax apurou que são alvos da operação:

  • Cristina Fiúza (MDB), vice-prefeita de Sidrolândia;
  • Enelvo Felini Júnior, secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente;
  • Izaqueu Diniz, o Gabriel Autocar (PSD), vereador de Sidrolândia;
  • Cledinaldo Cotócio (PSDB), vereador;
  • Adavilton Brandão (MDB), vereador;
  • Elieu Vaz (PSDB), ex-vereador;
  • Jacob Meeuwis Breure, presidente do Hospital Dona Elmíria Silvério Barbosa;
  • José Ademir Gabardo (Republicanos), ex-vereador;
  • Júlia Carla Nascimento;
  • Júlio César Alves da Silva;
  • Comercial Gabardo (CNPJ 08.217.980/0001-90);
  • Gabriel Auto Car (CNPJ 19.409.298/0001-16);
  • Farma Medical Distribuidora de Medicamentos e Correlatos (CNPJ 40.273.753/0001-95);
  • Pharbox Distribuidora Farmacêutica de Medicamentos (CNPJ 20.820.379/0001-93).

“Dirty Pix”, termo que dá nome à operação, traduz-se da língua inglesa como “pix sujo” e faz alusão à natureza ilícita das transferências financeiras utilizadas para viabilizar o esquema.

Hospital de Sidrolândia pagou e não teria recebido equipamentos

Em agosto de 2023, a Pharbox Distribuidora Farmacêutica de Medicamentos foi condenada pela 2ª Vara Cível de Sidrolândia a entregar equipamentos hospitalares. A compra de um equipamento de ressonância magnética e de uma autoclave pelo Hospital Beneficente Dona Elmíria Silvério Barbosa foi feita por meio de convênio com o Governo do Estado.

Assim, em dezembro de 2022, a empresa foi contratada para a compra dos dois equipamentos. Ao todo, foram investidos R$ 5.468.750,00.

O valor foi pago pelo hospital, devendo a ressonância ser entregue e instalada em 100 dias e a autoclave em 70 dias. O hospital alega que tentou resolver o atraso de forma amigável, mas não teve resultado.

Além disso, o hospital pontua que o pagamento foi antecipado porque a cotação era realizada em dólares, já que a ressonância é importada. Na época, a Pharbox informou que aguardava os trâmites de importação para entregar os produtos.

Fonte: Midiamax