Indígenas fecham BR MS 384 em protesto após morte de Neri Kaiowá

Nesta quinta-feira, indígenas fecharam a BR MS 384, impedindo a passagem de veículos em um protesto contra as autoridades policiais, em resposta à morte do indígena Neri Kaiowá, de 23 anos, ocorrida ontem. O incidente trágico gerou uma onda de indignação e mobilização entre as comunidades indígenas da região.

O confronto teve início na semana passada no território Nhanderu Marangatu, localizado a aproximadamente 30 km da área urbana da cidade. Desde a última segunda-feira, os indígenas ocuparam parte da fazenda Barra como forma de reivindicação de seus direitos territoriais.

A demarcação do Território Nhanderu Marangatu, que abrange 9,3 mil hectares, foi homologada em 2005 durante o primeiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva. No entanto, essa demarcação foi suspensa por um mandado de segurança impetrado no Supremo Tribunal Federal (STF), e o processo permanece sob a análise do ministro Gilmar Mendes há vários anos.

Além disso, existe uma ação em andamento no Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3), que pede a aplicação da tese do marco temporal. Essa tese defende que todos os territórios indígenas que estavam sob domínio desde 1988 devem ser garantidos pela Constituição Federal.

O fechamento da BR MS 384 é uma manifestação clara da luta dos povos indígenas por reconhecimento e direitos sobre suas terras. A situação continua a se desenvolver, e as comunidades esperam que suas vozes sejam ouvidas pelas autoridades competentes.

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