CRÔNICA GUARANI: Casa da vovó!

O inverno em Bela Vista não se cansa de esquentar meu coração e despertar minha memória afetiva. Lá descansam mundos felizes, mais simples, mas sofisticados em bons exemplos e amores incondicionais. E nada mais afetuoso que a casa da vovó, onde a disputa por atenção e espaços tornavam-se esportes oficiais, enquanto a torcida gritava para sairmos da aragem para não entanguirmos ou encarangarmos.
O tic-tac do velho despertador ainda é jovem em minhas lembranças. As noites em que só ele dava sinal de vida ainda me encontram em minhas saudades. Naquele aconchego as manhãs tinham gosto dos melhores bolinhos que uma infância podia ter. Os dias gelados nos recebiam prontos para construirmos as vivências que o saudosismo agora traz e estaciona a minha porta. E chega carregado de bons sentimentos.
Naqueles frios os casacos perambulavam em vários corpos; conforme o tempo engrandecia os ombros dos guris, eles iam aquecendo idades outras. O vento gelado nos abraçava aos pedaços, entrando escondidos pelas frestas entre as tábuas antigas que abraçavam o fogão a lenha. As brasas revezavam-se entre alimentar a boca de ferros de passar fardas e assar milhos, espetados e guiados por mãos de guris arteiros.
Era tempo de ser feliz. A avó e as tias sentavam e levantavam em bancos de madeira em volta do fogão, enquanto tomavam chimarrão, cuidavam de nossa infância e molhavam histórias que ainda hoje nos fazem amá-las. Hoje a casa é outra, os guris cresceram, o quintal ficou pequeno, abriga outras histórias, vovó e tias vivem apenas em nós, o fogão esfriou, mas aquelas brasas vivem acesas a esquentar o amor eterno entre todos nós! Saudades!
Texto: Josyel Carvalho