Uma cena rara e que preserva a tradição pantaneira movimentou a manhã deste domingo, dia 29, em Aquidauana e Anastácio, quando uma comitiva com 880 cabeças de gado, entre bois e vacas prenhas, cruzou as cidades em direção a Corumbá.
A comitiva JL, comandada por João Luís, mantém viva uma história de quatro gerações, herdada do avô e do pai, e que agora é repassada ao filho, garantindo a continuidade da tradição de conduzir gado pelo Pantanal de forma sustentável e cultural.
O trajeto, iniciado na Fazenda Panamá, na região do Pequi, tem como destino a Fazenda São João em Corumbá, em uma jornada de 30 dias de marcha, estando hoje no 13º dia de viagem.
Durante a passagem por Aquidauana, a boiada dormiu no antigo matadouro, na região do córrego Acôgo, seguindo pela ponte boiadeira nas proximidades do frigorífico Buriti. O movimento atraiu a atenção de motoristas, que pararam para observar e fotografar o momento, registrando a força da cultura pantaneira que segue resistindo ao tempo.
Esta é a primeira vez, após quatro anos, que uma boiada é conduzida na área. Esse trabalho é parte de ciclo natural e de respeito aos animais. No percurso não são usados caminhões devido ao período de prenhez das vacas, garantindo que elas sigam no ritmo certo e com o mínimo de estresse.
A comitiva conta com sete integrantes durante a marcha e, quando atravessa áreas urbanas, recebe apoio de outros três ajudantes para o manejo dos animais, garantindo a segurança e organização da travessia dentro das cidades.
Mais do que uma jornada de transporte de gado, a comitiva representa a preservação de saberes pantaneiros, a conexão com a terra e o respeito ao ciclo dos animais, em uma tradição que segue viva pelas estradas de terra do Pantanal sul-mato-grossense.
Fonte: O Pantaneiro






